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CurioFlick
Ícone do Wild Wolf Games Simulator 3D com um lobo cinzento sobre rochas, rodeado de botões redondos

FichaEstilizado, cores no máximo

Wild Wolf Games Simulator 3D

Estúdio: Torque Gamers

Funciona melhor do que o aspeto de cartaz faz supor, e estraga-se por falta de coerência. O contraste alto salva-o em ecrã pequeno; a mistura de continentes tira-lhe a credibilidade.

Google Play
Sem classificação pública
Nota CurioFlick
6,4 / 10
Desenho
Estilizado, saturação muito alta
Sessão
Média, cerca de vinte minutos
Página no Google Play

Há uma escola de simuladores de animais que trata a cor como argumento de venda: relva de um verde que não existe na natureza, céu azul sem nuance e um bicho ao centro com contraste suficiente para se ver na miniatura da loja. O Wild Wolf Games Simulator 3D pertence a essa escola sem pedir desculpa.

É gratuito, é da Torque Gamers e não tem classificação pública no Google Play, por isso a única nota desta página é a minha. Funciona melhor do que parece à primeira vista — e falha em sítios que nada tinham a ver com o aspeto.

O essencial em seis linhas

Estilo gráfico
Estilizado, saturação muito alta
Duração de uma sessão
Média, cerca de vinte minutos
Porta de entrada
Baixa: entra-se e joga-se
Interface no ecrã
Barra, retrato e seis botões com moldura
Ligação à Internet
Joga-se sem ligação
Idioma
Menus em inglês

Os primeiros minutos

Entra-se diretamente no prado, com o lobo já a andar e um retrato do animal no canto superior esquerdo. Não há ecrã de escolhas nem explicação de comandos: o manípulo virtual está à esquerda, os botões de ação à direita, e o resto aprende-se a carregar.

Nos primeiros minutos a impressão é de excesso — verde a mais, botões a mais, animais a mais no mesmo plano. Passada essa fase percebe-se que o excesso é a proposta, não um acidente.

Lobo em salto sobre um prado verde muito saturado, com uma cria branca e coelhos na erva
A moldura dourada dos botões e a barra vermelha ocupam os quatro cantos do ecrã ao mesmo tempo.

O estilo gráfico e o que ele esconde

A paleta está toda no limite superior: relva de verde elétrico, céu de azul saturado, molduras douradas nos botões e efeitos de cristal roxo que aparecem quando o lobo usa uma habilidade. Nada disto tenta parecer real.

O resultado tem uma vantagem prática que convém reconhecer. O lobo escuro sobre relva clara destaca-se de imediato, e num ecrã de seis polegadas isso vale mais do que qualquer textura de pelo bem feita. É o mesmo princípio que faz funcionar os cartazes: contraste primeiro, detalhe depois.

Interface: o que ocupa o ecrã

São seis botões com moldura dourada à direita, um manípulo grande à esquerda, o retrato do animal com barra de estado em cima e o botão de pausa no canto oposto. Os ícones de cristal indicam habilidades e não têm legenda nenhuma.

A densidade é média para o género: incomoda menos do que parece na imagem parada, porque os botões estão agrupados em vez de espalhados pelos quatro lados. Ainda assim, dois deles nunca chegaram a fazer nada de percetível.

Lobo escuro a uivar num prado com veados e zebras ao fundo
Veados e zebras partilham o mesmo prado: a fauna do mapa não segue nenhuma lógica geográfica.

A alcateia e o que ela muda no jogo

O lobo anda acompanhado: há uma cria branca que segue por perto e um segundo adulto que aparece em várias zonas do mapa. O grupo não se controla, desloca-se por conta própria e mantém-se a distância curta.

Quatro comportamentos que se notam ao fim de dez minutos

  • A cria segue o adulto e raramente se prende no cenário.
  • O segundo adulto aparece e desaparece conforme a zona, sem explicação.
  • Os coelhos da erva dispersam em direções aleatórias à aproximação.
  • Os veados mantêm uma distância fixa e voltam a agrupar-se passado algum tempo.

Desempenho em telemóveis fracos

Corre bem em aparelhos modestos, apesar da vegetação densa. A opção por texturas simples e por um terreno praticamente plano compensa a quantidade de elementos no ecrã.

Só há quebras visíveis quando o efeito de cristal roxo está ativo com vários animais no mesmo plano. Fora isso, vinte minutos de sessão não aquecem o telemóvel de forma notória.

Onde o jogo mostra as costuras

O problema maior não é gráfico, é de coerência. No mesmo prado há veados europeus, zebras africanas e coelhos, tudo à distância de um minuto de caminhada. Um simulador de vida selvagem que mistura continentes perde a única coisa que podia oferecer: a sensação de estar num sítio.

A isso junta-se a ausência de objetivos de médio prazo e dois botões sem função aparente. A seguir à primeira meia hora, o jogo repete-se sem acrescentar nada.

Balanço

A favor

  • Contraste alto: a silhueta do lobo lê-se sempre, mesmo em ecrã pequeno.
  • Botões agrupados num canto em vez de espalhados pelos quatro lados.
  • Corre bem em telemóveis modestos apesar da vegetação densa.
  • A cria acompanha o adulto sem se prender no cenário.

Contra

  • Fauna sem qualquer lógica geográfica: zebras e veados no mesmo prado.
  • Dois botões da interface sem função percetível.
  • Nada de novo depois da primeira meia hora.

6,4na escala CurioFlick de 0 a 10

Funciona melhor do que o aspeto de cartaz faz supor, e estraga-se por falta de coerência. O contraste alto salva-o em ecrã pequeno; a mistura de continentes tira-lhe a credibilidade.

Sem classificação pública no Google Play à data desta ficha: a nota acima é editorial. Ver a página do jogo